segunda-feira, 3 de março de 2008

ESCRAVIDÃO E RACISMO TEOLÓGICO – A CANAÃ BRANCA DOS PURITANOS


Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke. E-mail: ulisses_soares@hotmail.com








Vivemos em uma sociedade onde os valores cristãos-brancos sejam católicos ou protestantes são considerados “superiores e civilizados” e os valores africanos são tratados como inferiores e atrasados, a continuidade de uma sociedade dicotômica herdada: senhores brancos cristãos X escravizados pretos não cristãos। E o poder e meios de produção continuam nas mãos de brancos cristãos, frutos da exploração do trabalho escravizado de homens e mulheres africanas e seus descendentes.

O protestantismo quando chegou nas 13 colônias da América trazido por colonos ingleses, conhecidos como puritanos, praticantes de uma interpretação literal da Bíblia, se consideravam o “O Novo Israel de Deus", “Os Eleitos" e “diziam” possuir toda a autoridade para interpretar os textos bíblicos e vivê-los literalmente na “Terra dada por Deus”, também se consideravam expulsos da Inglaterra, governada pelo faraó, o rei inglês, e atravessaram o Mar Vermelho, nome que deram ao Oceano Atlântico, e viram os povos nativos, os aldeões coletores como as nações de Canaã que deviam ser destruídos para que eles tomassem posse da Terra Prometida. Essa mesma visão puritana veio com os missionários norte-americanos para o Brasil e se tornou o arcabouço das igrejas evangélicas no Brasil.O racismo teológico tem uma das suas origens na racialização da Bíblia e na prática do cristianismo eurocêntrico pelos Puritanos, dogmatizando a teologia, corrompendo a exegese e a hermenêutica, embranquecendo e ocidentalizando para usufruir através do tráfico mercantilista a exploração de civilizações livres e primevas africanas e destruição de civilizações nas Américas.
Os puritanos se consideravam e ainda se consideram através de seus seguimentos pelo planeta como os herdeiros de Deus e donos do mundo,torna-se interessante o texto abaixo e as interpretações dos Puritanos abalizando o direito de escravizar os africanos."E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas.Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que peregrinam entre vós, deles e das suas gerações que estiverem convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão perpetuamente os farei servir" – (Levítico- 25: 44-46).A falsa interpretação teológica dos puritanos dos textos bíblicos foi usada como certidão de posse do planeta e de seus habitantes. Dentro do protestantismo especialmente o Reformado no final do culto o pastor abençoa a comunidade e ouvi diversas vezes as seguintes palavras:- O amor de Deus Pai, a Graça de Deus Filho e as Consolações do Deus Espírito Santo, sejam com todos vós e com todo o Israel de Deus espalhado pela face da terra.A idéia do “Novo Israel” é uma prática puritana de interpretação bíblica e sê-lo é deter uma nova Canaã literalmente falando, sendo assim, os puritanos se sentiam abençoados e cumprindo a vontade divina, só que este Novo Israel era habitado nas Américas, Oceania e na África por populações pretas as quais foram condenadas a uma vida de inferno. A escravidão tornou-se um decreto divino, porque os puritanos brancos se consideram predestinados a herdarem a terra, sendo formulada uma proposta terrena de uma Nova Canaã Branca e protestante, impondo as suas filosofias deformadas e praticas racistas pelas elites no poder e repetidas pela população branca e pobre, conseguintemente na iconografia religiosa, nas teologias, na estética, nos meios de comunicação, na relação capital X trabalho, nos livros didáticos, e especialmente no poder político que afeta o direito a vida e do bem comum dos africanos e seus descendentes.As graves conseqüências da “idéia de um novo Israel branco e Puritano”, além da pilhagem, exploração e escravidão fizeram com que surgissem as maiores aberrações raciais nos Estados Unidos da América e na África do Sul, legislações baseadas na idéia de uma “Nova Canaã Branca”: leis conhecidas como Jim Crow, as quais você pode acessar lendo o artigo no blogger do CNNC/BA e a instituição do Apartheid na África do Sul. O racismo é uma ideologia fomentada pela população branca no planeta e introjeda dentro da população preta através da religião cristã, ser preto e cristão, sem o conhecimento do panafricanismo, do afrocentrismo e do cristianismo de matriz africana é coadunar com a exploração e ser repetidor da opressão ideológica e da racialização bíblica।O cristianismo surgiu na África e onde estão às igrejas mais antigas do planeta e infelizmente os caucasianos se apropriaram de terras, menos da Etiópia, a qual nunca foi escravizada e é detentora das igrejas cristãs mais antigas da história do cristianismo।Nós do CNNC sabemos que temos uma longa trilha a percorrer para alertar com voz profética que o cristianismo europeu e sua ideologia de uma nova Canaã são anti-bíblica e baseada no racismo।O CNNC (Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos) tem a sua presença nas discussões do Movimento por fazer parte da sua proposta de atuação o Panafricanismo. O CNNC é uma organização Cristã no Movimento Negro e não um grupo separado de Movimento Negro Evangélico. Um só Povo e um só luta.Uma das preocupações do Movimento Negro Brasileiro é construir uma proposta de poder para a maioria da população; surgem incipientes idéias de partidos políticos que desejam partidarizar o movimento e colocam os seus representantes, as vozes dos grupos oprimidos sexualmente, das mulheres, da juventude, de representantes religiosos, etc. Sendo uma “novidade” ainda não digerida por muitos militantes a presença nas discussões dos chamados evangélicos, digo “novidade”, porque os chamados evangélicos sempre estiveram no movimento negro, apenas não assumiam essa postura, por medo e vergonha da grande maioria, por saberem da culpabilidade do cristianismo deformado pelos europeus, e sendo seus seguidores, não ousavam contestar o racismo das igrejas protestantes, sendo eles mesmo vítimas. Sendo um dilema de muitos pastores e membros pretos assumir a sua identidade de africano no Brasil, temendo desagradar as Estruturas Eclesiásticas as quais ajudam a manter. A maior prisão é a mental.Infelizmente, dentro do mundo protestante brasileiro alguns pastores pretos ainda legitimam a escravidão nos seus escritos quando tentam dirimir leis do Primeiro Testamento e repetem interpretações errôneas expondo literalidade dos textos bíblicos. Nenhum tipo de escravidão fez parte dos planos de Deus para a humanidade e quando observamos as vozes dos profetas condenando as vontades humanas, entendemos que as leis de exploração do homem pelo homem eram vontades de pessoas presunçosas e afastadas de Javé. A escravidão nunca foi corroborada pelos desígnios de Deus e não podemos amenizar a maior covardia e genocídio praticado contra os nossos ancestrais. O Senhor não predestinou nenhuma pessoa preta, seres originais criados a imagem e semelhança Dele, para ser escravizada por qualquer europeu e seus descendentes, eles foram seqüestradores e o que foi nos roubado tem que ser devolvido; o termo reparação e cotas devem ser mais bem trabalhados por aqueles (as) que tentam fazer verdadeiramente uma teologia preta, a qual tem tido uma bela interpretação através do teólogo Kefing Foluke.Os praticantes da escravidão violaram todos os mandamentos divinos e rasgaram o Sermão do Monte e literalmente prestarão contas dos seus atos no dia do Juízo Final, porque usaram o nome do Eterno para invadir, seqüestrar, escravizar e matar os seres originais e continuam afastados do evangelho. O Povo Preto tem a promessa do Reino de Deus conforme as palavras de Yeshua no Sermão do Monte:
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.E a justiça tem que ser conquistada, não cai do céu, é uma construção e luta diária de todos e todas. Uni-vos povo preto em luta pela justiça.




domingo, 18 de novembro de 2007

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Por Maria Elisabete dos santos

Estudante de Pedagogia, atuante na área de educação, coordenadora e regente do Coral da terceira idade da Igreja Adventista da Mangueira em Salvador da qual é membro também.


Data importante para como cristãos refletirmos sobre nossos conceitos referentes a valorização do ser humano। Precisamos nos libertar de qualquer tipo de preconceito e racismo pois Deus em Sua Palavra diz: e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará(João 8:32) Como negros devemos nos valorizar como seres humanos criados por Deus e termos orgulho da nossa raça, não negando-a com desculpas esfarradas, camufladas como divinas, porém racistas e diabólicas. Somos negros. Temos cabelos crespos e podemos usar tranças, pois é própria pra quem mantém o cabelo natural. Os brancos e brancas adventistas usam pimpão e escovam o cabelo o que é aceito pela nossa organização. Precisamos preservar nossa identidade e orgulhar-nos por temos pele preta, cabelos crespos, nariz gordo e chato, lábios grossos. Se Eva a mãe da humanidade era asim, ela que foi criada por Deus, ela que após Deus criar disse que era "muito bom". Precisamos está atento para não confundirmos racismo com santificação. Neste 20 de Novembro vamos pedi a Deus que nos ajude a sermos cristãos verdadeiros, e que Ele, a Verdade nos liberte de nós mesmos para que sejamos negros autênticos, cristãos, adventista. Abraços Africanos para todos negros e os negros que não se consideram negros aproveitem a data e pesquisem sobre a nossa raiz, tenho certeza que terão muitas surpresas. Deus nos proteja e nos ilumine.


sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A EVA PRETA






Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Presidente do CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke.

A humanidade, como nós a conhecemos, começou na África com o Homo Erectus e Homo Sapiens, que viveu na região dos grandes lagos africanos antes de migrarem para outros continentes através do Vale do Nilo, à Palestina e o Mar Vermelho. É importante ressaltar a proximidade do Equador, o qual comprova que os primeiros habitantes do planeta foram homens e mulheres pretas, sendo seres de sangue quente, que se desenvolveram em um clima quente e úmido, produzindo um pigmento preto sintetizado por células (melanócitos), que estão dispersos no cabelo, nos pelos, na pele e nos olhos, protegendo a pele contra os raios ultravioletas: a melanina.
Complementando todas as informações bíblicas de Gênesis 2:1, que diz: “Então Javé Deus modelou o homem com argila do solo”. Modelou o homem com a cor da lama. E todos nós sabemos a cor da lama que é preta. A idéia da criação do ser humano, através argila, ainda é encontrada em regiões da África, no Togo, país africano. Algumas comunidades acreditam que Deus ainda faz homens e mulheres de argila.
Também vamos encontrar, em diversas tradições africanas, o mito da imortalidade da serpente e seu poder de mudar as suas escamas, dando uma idéia de renascimento constante, e o ser humano sempre teve o desejo de ser imortal. Os hebreus herdaram dos babilônios as teorias da criação do mundo e da queda do homem. E os babilônios foram pretos, descendentes dos cushitas, que migraram para o Continente Asiático. Antes do Canal de Suez, a África e a Ásia eram um só continente, sem separações nesse período histórico A partir daí, sem entrar em discussões teológicas de criacionismo ou evolucionismo, temos a plena convicção de que os primeiros habitantes do planeta, representados na Bíblia por Adão e Eva, foram pretos e criados à imagem e à semelhança de Deus. Esse fato é de domínio dos hebraístas e dos teólogos estudiosos do Primeiro Testamento. Porém, as lições da escola dominical e os tratados teológicos não ventilam essa revelação, e sabemos o motivo: o medo dos teólogos e hebraístas de trabalharem nos seminários teológicos a fiel interpretação bíblica centrada nos estudos das civilizações que foram protagonistas dessa história.
Todas as civilizações antigas foram compostas por povos pretos. Na antiga Suméria, no Vale do Indo, Iraque, regiões do Cáucaso, a presença de pretos na China antiga, na Grécia antiga, no Japão, no Continente Americano, na Oceania, na civilização de Angkor, na Tailândia, na civilização de Champa, no Vietnã. Os africanos e aborígines australianos habitaram a América bem antes da invasão espanhola e portuguesa. Tal fato foi comprovado com a descoberta de esculturas, como a pedra de Olmec, no México, que traz os narizes largos, cabelos rasta e lábios cheios. A mulher da Lagoa Santa, no Brasil, é outro exemplo.
Os historiadores ocidentais inventaram diversas denominações para os pretos espalhados pela face da terra, com o objetivo de negar a origem africana, sendo algumas delas: negróide, negrito, proto-negróide, aborígine australiano, euro-africanos, mediterrâneos, dentre outras.
As análises de material genético recolhido ao redor do planeta confirmam que todos os seres humanos modernos descendem de uma única mulher, quem viveu no Continente Africano, a qual os antropólogos e bioquímicos da universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, apelidaram de Eva Preta. Após o estudo do material genético retirado de cento e oitenta e nove mulheres de diversas etnias, desde 1979, a cientista Rabecca Cann e dois colegas, Allan Wilson e Mark Stoneking chegaram a uma conclusão. Comprovaram, por meio da coleta de placenta de bebês, que os tecidos celulares com mitocôndrias (grânulos ou bastonetes que transformam comida em liquido e energia para as células) foram retirados do DNA para traçar árvore genealógica, os quais preservam somente a herança materna.


Apenas a mitocôndria da mãe entra na genética do bebê, haja vista que o gameta masculino (o espermatozóide) só provê o núcleo. A genética mitocondrial só é alterada por mutações genéticas fazendo, desta forma, parte das gerações seguintes, como se fossem impressões digitais da linhagem. Todos os conceituados biólogos, americanos e europeus, confirmam que todas as mulheres modernas são descendentes de uma mulher africana, conhecida por Eva Preta.
As mudanças genéticas estudadas ocorrem em regiões do cromossomo Y, que não codificam genes ou suas regiões de controle e não afetam as pessoas que as possuem.
O Dr. Underhille e seus colegas, com base nas mutações encontradas no cromossomo Y em estudos recentes do DNA, chegaram à conclusão que os povos mais antigos do planeta podem ser os Oroma e Amhara, da Etiópia, e os Koissans que estão no sul da África.
A grande pergunta é: como se deram essas mudanças epiteliais, e como surgiram o branco, o amarelo e o vermelho? A Bíblia diz que todos nós descendemos dos primeiros humanos representados por Adão (humanidade) e Eva (vida) e já sabemos que eles foram pretos africanos. Com as migrações citadas anteriormente pelos primeiros grupos humanos, os seus descendentes foram se adaptando a novos climas e dietas alimentares, tendo como conseqüência a perda da melanina, porque não havia mais necessidade de proteção solar. A cor epitelial sofreu mudanças. Os cabelos originais crespos que serviam como protetores solar foram-se afinando e clareando; os olhos ficaram mais claros, adaptando-se à necessidade de enxergar em regiões com menor incidência solar; os narizes foram-se modificando pela necessidade de exercerem novas funções respiratórias nos diversos climas frios, e perdeu-se também a consistência nos lábios.
O equívoco vigente nas igrejas protestantes, referente ao surgimento da humanidade, é afirmar que os seres humanos são originários dos três filhos de Noé, Cam, Sem e Jafé, sendo a humanidade predestinada a benções e maldições, resultantes do relacionamento conflituoso de Noé e seus três filhos. Jafé originou os jafetitas, que seriam os brancos. Sem originou os semitas, com uma cor intermediária e, Cam os pretos, os quais foram amaldiçoados para servir aos seus irmãos. Essa hermenêutica é falsa, anti-histórica e racista; infelizmente, repetida nos mais conceituados seminários teológicos do mundo cristão, por diversos estudiosos do Primeiro Testamento, e ensinada nas igrejas.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

As tentações do jovem cristão no século 21


Dia desses, estava pensando nesse assunto e em como a igreja pode ajudar mais os jovens neste mundo secularizado e hedonista. Então concluí que as três principais tentações do jovem cristão no século 21 são as seguintes:

1. A pressão do grupo (pelo menos no início da juventude) continua sendo um elemento forte, no sentido de levar o jovem para os caminhos errados. Na ânsia por ser aceito – numa época de auto-afirmação e descoberta de si mesmo –, o jovem acaba comprometendo princípios e silenciando a consciência. Talvez em decorrência dessa pressão, mas nem sempre apenas relacionada a ela, acabam vindo as outras duas tentações.

2. Na área sexual. Os jovens estão casando bem mais tarde do que em tempos passados. E as liberdades que acabam tendo no tempo de namoro tornam a iniciação sexual mais precoce. Além disso, a Internet, as TVs pagas e a liberação sexual de nossos dias tornaram a tentação nessa área muito mais difícil de ser resistida. Tudo ficou mais fácil e a oferta de recursos para a satisfação sexual ilícita é abundantemente apresentada em todos os tipos de mídia. Se, no passado, o jovem precisava vencer a timidez e comprar uma revista pornográfica na banca de jornais, por exemplo, hoje ele pode ver imagens eróticas gratuitamente na tela do computador ou conversar sobre “baixarias” nas salas de bate-papo. A mente é alimentada com pensamentos impuros e excitantes. Depois vêm os programas de TV e o grupo dizendo que não há problema no sexo antes do casamento. Estimulação e facilidade são as palavras-chave desse problema. Talvez a única voz discordante seja a dos líderes da igreja. Mas aí a concorrência já se tornou injusta há muito tempo.

3. Na área intelectual. A mídia (novamente) e os meios acadêmicos saturam a mente dos jovens de ceticismo e secularismo, e nem sempre esses mesmos jovens encontram apoio da igreja no momento de confrontar as grandes questões da vida: De onde viemos? Para onde vamos? Posso realmente confiar na Bíblia, do ponto de vista histórico e científico? Deus existe mesmo? Na igreja, talvez, o jovem apenas ouça coisas do tipo: “O evolucionismo é uma bobagem. É apenas uma teoria. Não ligue para isso.” Mas o estudante chega à universidade e encontra doutores tremendamente preparados, que garantem ser o darwinismo uma teoria “confirmada”. O jovem percebe que a teoria não é tão “bobagem” assim, e começa o conflito que leva muitos ao ceticismo ou, na “melhor” das hipóteses, a uma fé raquítica e vacilante. E com essa fé vacilante, fica mais difícil resistir às tentações em quaisquer áreas (é uma armadilha circular). O jovem cai no pecado, sente-se um derrotado e vai levando uma vida medíocre, ainda que não saia totalmente da igreja.

Creio que a igreja deveria estar mais atenta a essas necessidades dos jovens. Organizar simpósios e encontros nos quais sejam abordados abertamente esses problemas. Promover maneiras de os jovens se expressarem, a fim de conhecer suas lutas e prover ajuda (quem sabe, por meio de pequenos grupos de jovens, com líderes experientes). Os pastores e os líderes deveriam se preparar melhor para “atacar” o secularismo e ajudar o jovem a enfrentar a universidade com uma boa bagagem criacionista. E na área sexual, orientar o jovem e não apenas ficar torcendo para que ele case logo, pensando: “Ufa, esse já não é mais problema.” (Aliás, é bom lembrar que os casais recém-casados também precisam de um bom acompanhamento pastoral.)

Os jovens são um tesouro da igreja. Devemos zelar por eles.

Michelson Borges é jornalista, editor da Lição da Escola Sabatina dos Jovens e autor do livro recém-lançado Nos Bastidores da Mídia (www.cpb.com.br)

Confissão de um ex-abortista


O responsável por 75 mil abortos explica as táticas faláciosas empregadas pelo movimento abortista para tornar aceitável sua causa nos EUA.

Sou [Dr. Bernard Nathanson] pessoalmente responsável por 75 mil abortos. Isso legitima minhas credenciais em me dirigir a você com alguma autoridade sobre o assunto. Fui um dos fundadores da National Association for the Repeal of the Abortion Laws (NARAL), nos EUA, em 1968. Uma pesquisa de opinião confiável mostraria que, à época, a maioria dos americanos seria contra o aborto. Em cinco anos, nós convencemos a Suprema Corte dos EUA a oficializar a decisão que legalizou o aborto por toda a América, em 1973, e permitiu o abortamento sob demanda até o nascimento. Como fizemos isso? É importante entender as táticas envolvidas porque essas mesmas táticas estão sendo utilizadas por todo o ocidente com uma ou outra mudança, de modo a alterar as leis sobre o aborto.

** CAPTURA DA MÍDIA

Persuadimos a mídia de que a causa da tolerância ao aborto era uma causa esclarecida e sofisticada. Sabendo que se uma pesquisa de opinião confiável fosse feita seríamos sonoramente derrotados, simplesmente fabricamos os resultados de pesquisas fictícias. Anunciamos à mídia que fizemos pesquisas e que 60% dos americanos eram favoráveis ao aborto. Essa é a tática da mentira auto-realizada. Criamos simpatia suficiente para vender nosso programa de aborto fabricando o número de abortos ilegais feitos anualmente nos EUA. Os números reais atingiam 100 mil, mas repassávamos à mídia 1 milhão. Repetir a mentira incessantemente convence o público. O número de mortes de mulheres devido a abortos ilegais era em torno de 200-250 anualmente. Passávamos à mídia o número de 10 mil. Essas falsas estimativas criaram raízes na consciência dos americanos convencendo muitos de que precisávamos derrubar a lei contrária ao aborto. Outro mito que alimentamos na opinião pública via mídia foi que a legalização do aborto significaria somente que os abortos outrora feitos ilegalmente, a partir de então seriam feitos legalmente. Na verdade, é óbvio, o aborto está sendo utilizado como o principal método de controle de natalidade nos EUA e o número anual de abortos aumentou em 1.500% desde a legalização. [Se quiser ler um artigo neste blog sobre técnicas de manipulação da opinião pública, clique aqui.]

** DAR A "CARTADA CATÓLICA"

Aviltamos sistematicamente a Igreja Católica e suas “idéias socialmente retrógradas” e apontamos a hierarquia da Igreja como os vilões que se opunham ao aborto. Esse tema foi tocado incessantemente. Alimentamos a mídia com mentiras do tipo “todos nós sabemos que a oposição ao aborto vem da hierarquia e não da maioria dos católicos” e “pesquisas de opinião provam que a maioria dos católicos querem reforma na lei contra o aborto”. E a mídia bombardeou isso sobre o povo americano, persuadindo-o de que todo aquele que se opusesse ao aborto devia estar sob influência da hierarquia da Igreja e que os católicos a favor do aborto eram esclarecidos e progressistas. Uma inferência a essa tática foi que não havia grupos não católicos se opondo ao aborto. O fato de que outras religiões cristãs bem como não cristãs foram (e ainda são) monoliticamente opostas ao aborto foi constantemente suprimido, junto de opiniões de ateístas pró-vida.

** SUPRESSÃO DAS EVIDÊNCIAS DE QUE A VIDA COMEÇA NA CONCEPÇÃO

Perguntam-me com freqüência o que me fez mudar de opinião. Como mudei de abortista proeminente a advogado pró-vida? Em 1973, tornei-me diretor de obstetrícia de um grande hospital na cidade de Nova Iorque e tinha que organizar uma unidade de pesquisa pré-natal, no início do surgimento de uma grande tecnologia que hoje utilizamos diariamente para estudar o feto no útero. Uma tática pró-aborto favorita é a insistência em que a definição do instante em que começa a vida é impossível; que a questão é teológica, moral ou filosófica, tudo menos científica. A fetologia traz uma evidência inegável de que a vida começa na concepção e requer toda a proteção e salvaguarda de que qualquer um de nós desfruta. Por que, você poderia pergutar, alguns médicos americanos cientes das descobertas da fetologia, desacreditam de si mesmos efetuando abortos? Aritmética simples: a US$300 por aborto, 1,55 milhão de abortos significa uma indústria gerando US$500.000.000 anualmente, dos quais a maioria vai para o bolso do médico que fez o aborto. É claro que o aborto é propositalmente a destruição do que é inegavelmente vida humana. Isso é um ato de violência mortal. Devemos considerar que a gravidez não planejada é um dilema penosamente difícil, mas enxergar sua solução em um ato de destruição deliberada é abusar da ilimitada ingenuidade humana e entregar a saúde pública à clássica resposta utilitária a problemas sociais.

Como cientista, eu sei, não por crença, que a vida humana começa na concepção. Embora eu não seja um religioso, creio de todo o meu coração que há uma divindade que nos guia a declarar o término final e irreversível desse crime contra a humanidade, infinitamente triste e vergonhoso.

(O Dr. Bernard Nathanson é autor de Aborting America e produtor do filme chocante e revelador The Silent Scream. No fim dos anos 1970, abandonou a prática e a militância pró-aborto, tendo se tornado ativista pró-vida.)

(Artigo originalmente publicado em www.aboutabortions.com/Confess.html e republicado em www.midiasemmascara.com.br)

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Papel do homem nas tarefas domésticas.


Recentemente no Globo Online (17/08/2007) foi publicada uma pesquisa que confirma o predomínio do machismo nas relações domésticas ainda hoje em nossa sociedade. Impressionante que tais dados também são significativos no meio evangélico.

Não é de hoje que o papel feminino no meio cristão, e especialmente evangélico, tem sido muitas vezes alvos de repressão e desqualificação. Nos meios mais ortodoxos interpretações forçadas do texto bíblico servem ainda para manter a mulher sob a égide e poder masculino, aumentando a carga sobre elas.

Os dados estatísticos do IBGE confirma o que as mulheres já sabiam: homem dá muito trabalho. A pesquisa mostra que a existência de um cônjuge masculino dentro de casa representa um aumento de cerca de duas horas semanais nos afazeres domésticos das mulheres. E revela que os homens com maior grau de escolaridade são os que mais ajudam nas tarefas domésticas. E que é no Nordeste brasileiro a região onde eles menos ajudam.

De certa forma o meio eclesiástico reflete o arranjo dos lares e da sociedade em geral. Em muitos casos, a mulher cristã acumula funções domésticas, cuidados com a prole, deveres profissionais, deveres na igreja e quando não ainda numa formação acadêmica.

“Muitos maridos não compreendem e não apreciam suficientemente os cuidados e perplexidades que suas esposas suportam, geralmente confinadas o dia todo à incessante rotina dos deveres domésticos. Freqüentemente eles retornam ao lar com a fisionomia carregada, não trazendo alegria ao círculo da família. Se a refeição não saiu na hora, a fadigada esposa, que é a um tempo, faxineira, enfermeira, cozinheira e ama, é saudada com censuras.”

A pesquisa, anteriormente citada, também confirma que o fato de trabalhar fora de casa não liberou as mulheres dos afazeres domésticos. No país, 109,2 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade declararam realizar tarefas domésticas. Destas 71,5 milhões (65,4%) são mulheres e 37,7 milhões (34,6%) são homens. O tempo despendido diferencia-se significativamente: eles 8,2 e elas, 14,3 horas semanais.

" Na faixa etária de 25 a 49 anos de idade, onde a inserção das mulheres no mercado de trabalho é maior e a presença de filhos pequenos maior, 94% das brasileiras realizam trabalhos domésticos"

As mulheres casadas têm maior jornada com afazeres domésticos e dedicam a este trabalho o triplo do tempo gasto pelos homens, ou seja, 31,1 horas semanais contra 10,9 horas deles. Entre as não-casadas, o tempo médio é de 22 horas semanais.

Se aumentou a necessidade da mulher contribuir profissionalmente com recursos financeiros para a manutenção de sua família, por outro lado não vemos aumentar a participação masculina nos afazeres domésticos em igual percentual. Se bem que o número de homens que ajudam nos deveres domésticos têm aumentado. Por incrível que pareça parte deste problema se dá pela própria atuação da mulher impedindo a ajuda dos homens da casa (filhos e esposo), mantendo a exclusividade e prioridade dos deveres com a ala feminina.

A desigual distribuição dos trabalhos domésticos começa a se delinear já na infância. Na população entre 10 e 17 anos, a diferença já aparece: enquanto 82,6% das meninas nessa faixa etária ajudam nas tarefas da casa, somente 47,4% dos meninos se dedicam a esse trabalho caseiro:
- Há uma construção cultural de que cabe às meninas essas atividades. Mesmo com carga maior, elas têm rendimento escolar melhor, fazem mais tarefas domésticas e, mesmo quando estão no mercado de trabalho, a carga de serviço é maior que a dos meninos (oito horas semanais para os meninos ocupados e 14,1 horas para meninas ocupadas - diz Cristiane Soares, técnica da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.

Como religiosos como podemos mudar esses números em nosso meio? Será que os homens e pais poderiam atuar de maneira diferente em suas casas? É dito aos maridos e pais:

“A vida da mãe nas humildes ocupações domésticas é de constante sacrifício, tornando-se mais dura se o marido deixa de apreciar as dificuldades da posição da esposa e não lhe dá o seu apoio.” (Signs of the Times, 6 de dezembro de 1877.)

“O pai não deve omitir-se de sua parte na obra de educar os filhos. Ele deve participar das responsabilidades. Há obrigações para ambos, pai e mãe.”

Creio que num tempo de reavaliações nos papéis sócio-sexuais, os homens cristãos devam assumir seu papel de ajudador nos deveres domésticos, aliviando o fardo da parte feminina.

A importância dos exercícios abdominais para a manutenção saúde da coluna


Durante a realização de atividades diárias, (caminhada, corridas, carregamento de pesos), a coluna vertebral está constantemente submetida a forças compressivas de tensão, de torção e de cisalhamento (ADAMS et al., 1994). Estas forças são distribuídas ao longo da coluna vertebral através de um eficiente sistema biomecânico, constituído por vértebras, ligamentos, músculos e discos (WATKINS, 1999). Entre estas estruturas da coluna vertebral, os discos intervertebrais realizam um papel fundamental na absorção e distribuição destas forças. Os discos funcionam como um sistema visco-elástico que quando submetidos a forças de compressão deformam-se radialmente e o fluído contido no núcleo pulposo e ânulo fibroso são expelidos (ADAMS e HUTTON, 1983). A combinação destes mecanismos faz com que os discos intervertebrais percam a altura e causem uma redução no comprimento da coluna (REILLY, et al.1984).Quando as cargas compressivas são removidas ou reduzidas, os discos intervertebrais reabsorvem fluido e gradativamente retornam à sua altura inicial (KAPANDJI, 2000) e permitem que os sujeitos recuperem o comprimento da coluna vertebral e do corpo (estatura). As variações no comprimento da coluna vertebral, decorrentes de diferentes tipos de forças ou cargas podem ser quantificados através de medidas de pequenas variações na estatura - estadiometria (EKLUND e CORLETT 1984, VAN DIEËN et al. 1994). Vários estudos têm descrito que as deformações dos discos intervertebrais são proporcionais à magnitude das forças impostas sobre a coluna vertebral (TYRRELL et al. 1985 LEATT et al. 1986 ALTHOFF et al. 1992 Rodacki et al. 2000).Os músculos também realizam um papel relevante na absorção de forças e estabilização da coluna vertebral durante as atividades do cotidiano. Por exemplo, quando os músculos flexores e extensores do tronco são fortalecidos há um aumento na pressão intra-abdominal, a qual estabiliza e reduz o estresse aplicado a coluna (WATKINS, 1999). Desta forma um equilíbrio de força entre os músculos flexores e extensores do tronco auxilia na manutenção da boa postura e na redução das sobrecargas nos discos intervertebrais e nas estruturas mais sensíveis da coluna vertebral. A força destes músculos tem sido descrita como um importante fator na prevenção de problemas de dores nas costas. Os músculos flexores do tronco fracos têm sido associados com a incidência de lombalgias, por exemplo se os abdominais são fracos, além da redução da pressão intra-abdominal, há pouco controle sobre a pelve desencadeando uma postura hiperlordótica, a qual sobrecarrega indevidamente as articulações apofisárias posteriores e o disco intervertebral (WATKINS, 1999). Borenstein et al (1995) descreve a importância do fortalecimento dos músculos flexores do tronco para a manutenção de uma boa postura e na prevenção de lesões na coluna vertebral. A forma mais adequada de fortalecer os músculos abdominais é através do exercício abdominal. Os exercícios abdominais são executados em uma posição deitada (similar à posição utilizada para a descompressão da coluna vertebral, onde as forças compressivas são reduzidas), Porém deve -se observar os exercícios abdominais realizados com os coluna totalmente retificada a qual produz uma redução na curvatura da lordose, forçando a pelve posteriormente. O resultado da redução da lordose causa um aumento na pressão do disco intervertebral, ocasionando desta forma uma maior sobrecarga na coluna vertebral durante a prática destes exercícios (HAMILL e KNUTZEN, 1999). De fato vários estudos sugerem que os abdominais devem ser avaliados de acordo com sua efetividade, segurança (Plowman, 1992 HAMILL e KNUTZEN, 1999 ).Clinicas de reabilitação apresentam diferentes enfoques para o tratamento de dores na coluna, porém o método desenvolvido por Joseph Pilates vem sendo utilizado com um meio alternativo para devolver a funcionalidade às pessoas que sofrem de problemas de coluna (Comerford&Mottram,2001), e que não necessitem intervenções clinicas. No método Pilates existe uma variedade de exercícios que auxiliam o fortalecimento dos músculos abdominais. Desta forma essa e uma das razões pela qual muitas pessoas começam a utilizar o Pilates tanto para o tratamento quanto para a profilaxia de dores nas costas, aumentando a já grande legião de aficionados pelo método.